domingo, 23 de outubro de 2011


        Não gente, eu não quero sair de casa hoje. Me respeitem e respeitem minha tristeza. Hoje eu não quero internet, não quero amigos, não quero fotos. Só quero ficar aqui me olhando, hoje eu aguento apenas eu. Eu já sou coisa demais pra mim por hoje. Não quero nem meu celular. Afasta ele de mim se não já sabe né, eu vou ler aquelas mensagens antigas e tal. Ah, afasta também aquela caixinha ali, nela tem umas cartas e uns presentinhos. Não fazem muito bem pra mim hoje não. Olha, faz o seguinte. Tenta me afastar daqui, mas me leva pra bem longe, pra um lugar que eu sofra um apagão mental, que a  estafa seja maior que a vontade de voltar. Mas me promete que você vai me levar pra um lugar legal e que você possa me ajudar nessa. Me fazer tirar tudo isso da cabeça.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011


O meu amor, independe das ações, das noitadas ou até mesmo de todo esse misticismo que envolvem a paixão.
O meu amor depende do seu sim, e do seu não. Ele se dá com a rotina, com o ritmo da sua respiração.
E quando você menos perceber, meu pensamento esta lá, fixado em você. No que você pode estar fazendo, cantando, comendo.
O meu egoísmo é só seu até que os raios partam a neblina da chuva, que o arco iris mude de aparência e que nossas vozes mudem 
de tom. O meu amor, independe de mim e de você, já é amor.
(Texto de 19 de junho de 2011)
Ela nem sabia por que, mas esperava como nunca por aquele dia. Usou seu vestido novo, o único. O mais limpinho, que ela guardava a tanto tempo sem usar. Pegou o melhor perfume dela, não o mais caro, mas o mais cheiroso. O que lhe lembrava um doce que sua avó fazia na infância. Seus sapatos eram vermelhos, assim como o laço de fita que ela usava na cabeça. "Esta noite vai ser linda. E será toda minha!" Dizia ela olhado sua bela imagem no espelho e pensando nas mil hipóteses de acontecimento para aquela noite. O tempo passou mais rápido e em milésimos de segundo lá estava ela. Impecável. Nítida e em bom tom. Era perceptivelmente a moça mais linda daquele lugar. Sorrateira como uma cobra, chegou doce ao lado do rapaz que mais chorava e soltou com um hálito de soberba: -Você sempre soube que isso aconteceria, eu  te disse. Só vim aqui para te passar minha não dor e dizer que hoje é o começo da nossa história. 
Sem acreditar no que acabou de ouvir ele olhou para o lado, atordoado. Não acreditara naquilo, como alguém de mente tão insana apareceria no funeral da sua amada daquela forma? Alguém sem coração e de alma gelada. Na intensão de saber quem dissera aquelas palavras, ele saiu de lá. Fumou um cigarro lá fora e decidiu que não ficaria mais ali. Até por que ele era o único que tinha permanecido naquele lugar. O clima estava cada vez mais frio e seus olhos ainda inchados procuravam por aquela moça. O paletó já estava aberto, o cabelo bagunçado e a barba por fazer. Aos olhos de Jane essa era sua imagem mais linda e a mais sexy. Ele olhou para o céu lembrou dela quando o elogiava e seguiu com o olhar para sua mão. Agora ele tinha duas alianças no mesmo dedo. Ele suspirou e voltou para o local que Jane estava, não para a olhar mas sim para permanecer os últimos 10 minutos ali. Sentado, sozinho. Achou melhor ir para o hotel mais barato, ir pra casa agora seria muita tortura. Chamou o rapaz da segurança e disse que podia fechar o local e que amanha a família da moça ainda passaria lá. Pegou sua bolsa e saiu. A ultima lembrança dela era linda, os dois rindo e brincando na sala do apartamento novo. Ainda sujos de tinta mas muito felizes, por realizarem um sonho. "É, Jane será meu único amor. Foi a mulher mais bela que eu já conheci. Tinha muitos defeitos e ainda assim continuava linda."  Saiu em direção ao hotel. Chegando lá parou na janela, com o pensamento ainda muito flutuado. Foi dormir, aquela noite fora longa demais.                                                                           "Mas nada se comparava ao dom que ela tinha de combinar a cor dos seus sapatos com o lacinho que usava na cabeça."





quinta-feira, 20 de outubro de 2011


(TEXTO DE: 14 de Janeiro de 2011)
Era uma criança como qualquer outra, que tinha o parque como sua principal fonte de diversão e alegria. Mas ela gostava mesmo era de olhar o horizonte, o encontro das nuvens com o sol a deixava cada vez mais curiosa em saber o que se passava naquele outro mundo. Tinha certa admiração pelas coisas que vinham e surgiam no céu. (Tinha um missão secreta de saber qual era o gosto do pinguinho de chuva!) Luana era assim, não é a toa que tinha esse nome! E quando chegava em casa a primeira coisa que fazia era conferir as nuvens, aaah as nuvens! Conferir os formatinhos dos dinossauros que só existiam na sua cabeça. Luana também gostava de dinossauros, ela achava que haviam vários fósseis deles no quintal da sua casa, só não sabia escavar, mas eles estavam ali.
Numa sexta feira a tarde Luana, como fazia sempre,  estava no parque. Sozinha, rindo e olhando pro céu. Quando viu uma nuvenzinha pequena, escondida entre as outras...  Olhando rápido parecia um coração, mas observando bem parecia uma letra. Uma letra.  Ela guardou aquilo.  Os dias passavam e Luana sempre procurava sua nuvem de letra, mas nunca mais a encontrara.  Os dias passaram mais ainda e Luana já estava determinada a não procurar mais sua letrinha, até porque ela já estava virando uma mocinha e não ficava legal sair andando por ai procurando coisas no céu como uma boba. Até que ela cresceu de verdade e mudou seus gostos.
Luana não andava mais no parque, a não ser quando cruzava pra ir até a escola. Ela tinha amigas agora e raramente olhava pro céu. Seu foco agora eram bandinhas de rock e os garotos da vizinhança. Luana pintava o cabelo e já pensava em fazer tatuagens. Não tinha muitos objetivos na vida, mas notou que a maioria das coisas que a cercavam sempre traziam a tona a tal letrinha da sua infância. Mas nada que a fizesse realmente se importar com isso.
Luana ficava cada vez mais velha, já estava quase concluindo o ensino médio. Morava com seus pais, mas tinha uma imensa vontade de morar só. Sua banda preferida agora era Ramones. Ramones porque o garoto que morava ao lado gostava também mas em casa ela ouvia Roxette e Amy Winehouse, baixinho pra ninguém saber. Tinha uma vida tranqüila e sociável. Uma vez perdida ela passava no parque, sentava naqueles banquinhos e olhava  desanimada pro céu. Olhava pro horizonte e viu que nada tinha mudado: era o mesmo sol, o mesmo parque, a mesma Luana e... Cadê a letrinha que sumiu!? Ela não se importava mais com isso, aliás, nem lembrava de tal letra. Nem lembrava que aquilo passou um bom tempo na sua vida de criança afortunando sua cabecinha. Ela ainda olhava os dinossauros inexistentes no quintal de sua casa e vira o quanto era tolinha em acreditar que eles existiram.
Luana não era mais criança e sabia que alguma coisa em seu futuro iria trazer de volta aquela sensação boa de ter uma letrinha como sua companheira. Ia saber o significado daquilo e por um fim nesse pensamento infantil e imaturo.
Hoje Luana chegou em casa sorrindo, tinha acabado de chegar do trabalho e estava ouvindo Guns ‘n’ Roses, ta vendo como as coisas tem significado, sua tola? E ta vendo como os gostos musicais mudam!?

terça-feira, 18 de outubro de 2011



"Nem tudo é como você quer, nem tudo pode ser perfeito, pode ser fácil se você ver o mundo de outro jeito."


Comecei meu dia com essa frase, que faz parte de uma música. Acho que nada mais sólido pra descrever meu pensamento atual. Você nota sua mudança e seu crescimento pessoal, percebe que a cada dia seu ego vai roubando suas experiências e se alimentando delas. Grandes pessoas, se tornam cada vez mais simples quando você se torna grande como elas. Fácil. O difícil é crescer né? O difícil é notar que agora você também faz parte de contas numéricas que indicam níveis sociais. Na verdade pra mim tudo está mais simples, e mais complexo ao mesmo tempo. Simples por que eu faço parte. Complexo por que eu não entendo como cheguei até aqui. Mas isso é bom,  sabe? É bom saber que a gente evolui. :)