quinta-feira, 20 de outubro de 2011


(TEXTO DE: 14 de Janeiro de 2011)
Era uma criança como qualquer outra, que tinha o parque como sua principal fonte de diversão e alegria. Mas ela gostava mesmo era de olhar o horizonte, o encontro das nuvens com o sol a deixava cada vez mais curiosa em saber o que se passava naquele outro mundo. Tinha certa admiração pelas coisas que vinham e surgiam no céu. (Tinha um missão secreta de saber qual era o gosto do pinguinho de chuva!) Luana era assim, não é a toa que tinha esse nome! E quando chegava em casa a primeira coisa que fazia era conferir as nuvens, aaah as nuvens! Conferir os formatinhos dos dinossauros que só existiam na sua cabeça. Luana também gostava de dinossauros, ela achava que haviam vários fósseis deles no quintal da sua casa, só não sabia escavar, mas eles estavam ali.
Numa sexta feira a tarde Luana, como fazia sempre,  estava no parque. Sozinha, rindo e olhando pro céu. Quando viu uma nuvenzinha pequena, escondida entre as outras...  Olhando rápido parecia um coração, mas observando bem parecia uma letra. Uma letra.  Ela guardou aquilo.  Os dias passavam e Luana sempre procurava sua nuvem de letra, mas nunca mais a encontrara.  Os dias passaram mais ainda e Luana já estava determinada a não procurar mais sua letrinha, até porque ela já estava virando uma mocinha e não ficava legal sair andando por ai procurando coisas no céu como uma boba. Até que ela cresceu de verdade e mudou seus gostos.
Luana não andava mais no parque, a não ser quando cruzava pra ir até a escola. Ela tinha amigas agora e raramente olhava pro céu. Seu foco agora eram bandinhas de rock e os garotos da vizinhança. Luana pintava o cabelo e já pensava em fazer tatuagens. Não tinha muitos objetivos na vida, mas notou que a maioria das coisas que a cercavam sempre traziam a tona a tal letrinha da sua infância. Mas nada que a fizesse realmente se importar com isso.
Luana ficava cada vez mais velha, já estava quase concluindo o ensino médio. Morava com seus pais, mas tinha uma imensa vontade de morar só. Sua banda preferida agora era Ramones. Ramones porque o garoto que morava ao lado gostava também mas em casa ela ouvia Roxette e Amy Winehouse, baixinho pra ninguém saber. Tinha uma vida tranqüila e sociável. Uma vez perdida ela passava no parque, sentava naqueles banquinhos e olhava  desanimada pro céu. Olhava pro horizonte e viu que nada tinha mudado: era o mesmo sol, o mesmo parque, a mesma Luana e... Cadê a letrinha que sumiu!? Ela não se importava mais com isso, aliás, nem lembrava de tal letra. Nem lembrava que aquilo passou um bom tempo na sua vida de criança afortunando sua cabecinha. Ela ainda olhava os dinossauros inexistentes no quintal de sua casa e vira o quanto era tolinha em acreditar que eles existiram.
Luana não era mais criança e sabia que alguma coisa em seu futuro iria trazer de volta aquela sensação boa de ter uma letrinha como sua companheira. Ia saber o significado daquilo e por um fim nesse pensamento infantil e imaturo.
Hoje Luana chegou em casa sorrindo, tinha acabado de chegar do trabalho e estava ouvindo Guns ‘n’ Roses, ta vendo como as coisas tem significado, sua tola? E ta vendo como os gostos musicais mudam!?


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